Faltam testes de covid e ômicron avança no Brasil

Com aumento da procura, farmácias chegam a cobrar até R$ 400 por teste rápido. Infectologista alerta que chance de ômicron infectar membros da mesma família é duas vezes maior

CUT – Em todo o país, o avanço da ômicron fez explodir a procura por testes de covid-19. No entanto, as pessoas têm cada vez mais dificuldades em encontrá-los. De acordo com a epidemiologista Ethel Maciel, pesquisadora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), quando uma pessoa é contaminada pela ômicron, as chances de infectar outros membros da família é pelo menos duas vezes maior que as variantes anteriores. Assim, o ideal é que todos os membros da família também fossem testados. Mas não há nenhum sinal de que o governo brasileiro possa agir dessa maneira. “Não temos um programa de testagem no Brasil. Começamos 2022, e ainda não temos”, criticou.

Ethel também afirmou que não basta o governo Bolsonaro solicitar a liberação dos autotestes. É preciso incorporá-los ao SUS. Em entrevista ao canal do Conselho Nacional de Saúde (CNS), ela afirmou que a luta pelo “acesso” deve marcar o enfrentamento à pandemia no Brasil em 2022. Seja em relação às vacinas, que ainda são distribuídas de maneira desigual. Como também sobre aos testes, autotestes e novos medicamentos.

Se tivermos a autotestagem, e espero que sim, esse autoteste não pode ser vendido apenas na farmácia”, afirmou Ethel. Além da distribuição pelo SUS, a pesquisadora cobrou a realização de uma campanha para a utilização dos autotestes. É preciso, ainda, haver formas de comunicar as autoridades sobre os resultados. Se for apenas através de um aplicativo, os mais pobres ficariam novamente excluídos. “A gente tem aqueles que podem utilizar aplicativos. Outros podem informar às unidades de saúde mais próximas.”

Descaso

Diante do “risco real de desabastecimento” dos insumos, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) recomenda que os laboratórios privados priorizem os testes de covid-19 para pacientes com sintomas mais graves.

No entanto, de acordo com a epidemiologista, com a ampliação da imunização, é comum que os contaminados pela ômicron permaneçam assintomáticos. Ou apresentem sintomas leves. Sem o diagnóstico, contudo, a pessoa não faz o isolamento, contribuindo, assim, para o espalhamento da doença.

Nesta terça-feira, em nota, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) disse que poderia fabricar 4 milhões de testes a mais por mês. Contudo, não houve demanda do Ministério da Saúde nesse sentido. Na sequência, o ministro Marcelo Queiroga fez pouco caso. Para ele, há uma “narrativa de falta de testes”.

Com a restrição dos testes RT-PCR – que identificam o material genético do vírus –, as pessoas suspeitas de estarem infectadas têm recorrido aos “testes rápidos”, vendidos em farmácias. Porém, além das filas e listas de espera, os pacientes têm deparado com a explosão dos preços dos testes de antígenos. Ontem, a Fundação Procon-SP realizou a Operação Teste Covid-19 para verificar denúncias de preços abusivos. Com a alta procura, alguns estabelecimentos chegaram a cobrar até R$ 400 pelos testes que, até então, custavam entre R$ 50 e R$ 90.

Máscaras de alta proteção

Com a flexibilização das medidas restritivas, Ethel disse que é muito difícil diminuir o risco de contaminação pela variante ômicron nesse momento. Ela criticou que, após mais de dois anos de pandemia, melhorias nos transportes e nos edifícios públicos, não tenham sido feitas para aumentar a ventilação. Nesse contexto, além de evitar aglomerações, adotar máscaras de alta proteção é a melhor forma de se proteger, de acordo com a especialista.

As máscaras de pano, segundo ela, servem muito mais para proteger o outro. O intuito era estabelecer uma barreira física, impedindo a livre circulação de gotículas de saliva que podem conter o vírus. No entanto, desde a variante delta, e mais ainda com a ômicron, as máscaras PFF2 são “fundamentais”. Por isso,

Ethel Maciel também cobra uma política pública de distribuição dessas máscaras de alta proteção.Covid no Brasil até 18/01

Com o avanço da ômicron, o Brasil teve registradas hoje 137.103 novas infecções em 24 horas (segunda a terça). Assim, a média móvel de diagnósticos chegou a 83.205 a cada um dos últimos sete dias. É o maior índice desde o início da pandemia no país, em março de 2020. Os dados são fornecidos pelo boletim diário do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

No mesmo período, 351 pessoas morreram pela covid-19, de acordo com os registros. É o maior índice desde 13 de novembro, quando foram registradas 731 mortes. Como resultado, são oficialmente 621.517 vítimas da doença no total. Contudo, no último mês, os números não são precisos, em função do “apagão” de dados do Ministério da Saúde.

Pandemia não acabou

Em entrevista coletiva na sede da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus,disse que a ômicron levou a 18 milhões de novas infecções em todo o mundo na semana passada.

“Não se engane, a ômicron está causando hospitalizações e mortes — e mesmo os casos menos graves estão enchendo as unidades de saúde”. Ele alertou ainda os líderes globais que “com o incrível crescimento global da ômicron, novas variantes provavelmente surgirão, e é por isso que o rastreamento e a avaliação permanecem críticos”.

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