Casos de covid subiram mais de três vezes no Brasil nas últimas quatro semanas

Semana que se encerrou no sábado (11) teve quase 300 mil novas infecções, mesmo com subnotificação. Pesquisadores dizem que os transportes públicos do Brasil são grandes focos de transmissão da covid-19.

BdF – O número de novos casos de covid-19, confirmados na semana que se encerrou nesse sábado (11), chegou a 292.068 no Brasil e o cenário pode ser ainda mais negativo por conta da subnotificação. O resultado registrado no fim do período de sete dias é mais de três vezes maior que o observado há um mês.

De acordo com boletim do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), entre os dias 15 e 21 de maio foram relatados 96.513 infecções. Na semana seguinte os dados superaram 150 mil e, desde então, a propagação mantém o crescimento. Com isso, o país confirma a tendência de avanço do coronavírus, após quase dois meses de relativa estabilidade.

A possibilidade de que as informações não correspondam à gravidade real da situação é grande. Autoridades sanitárias alertam sobre números não relatados desde que o Brasil passou a autorizar a venda de autotestes. Os resultados desse tipo de exames não são contabilizados nos levantamentos oficiais.

Além disso, nos últimos dias tem sido comum que o boletim do Conass seja divulgado sem as informações de diversos estados. Nesse sábado, por exemplo, sete unidades da federação deixaram de registrar informações por técnicos no acesso às bases de dados dos sistemas de informação do Ministério da Saúde.

Na quarta-feira (8) da semana passada a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia informado que o Brasil foi o quarto país que mais registrou novas infecções entre os dias 30 de maio e 5 de junho.

O total confirmado no período representou mais de 7% de todos os casos do planeta e o crescimento em relação à semana anterior foi superior a 30%, atrás apenas de Estados Unidos, China e Austrália.

Casos fatais

No mesmo informe da OMS, o Brasil apareceu em terceiro lugar no número de mortes, atrás de Estados Unidos e China. Embora os registros de óbitos não esteja crescendo tanto quanto nos piores momentos da pandemia em território nacional, eles voltaram a passar de 1.000 na semana que se encerrou no sábado (11), o que não era registrado desde o início de abril.

Na sexta-feira (10), a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) informou que o total de confirmações nos estabelecimentos de saúde particulares aumentou 94% nas duas semanas anteriores. A média de ocupação de leitos foi superior a 84%.

Um dia antes, um informe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou, mais uma vez, tendência de alta nos casos. Segundo o Boletim Infogripe, quase 70% dos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) do último mês estão relacionados ao coronavírus.

Quase todos (mais de 92%) os óbitos por vírus respiratórios relatados entre 29 de maio e 4 de junho ocorreram por causa da doença. Nesse período foram 7,7 mil casos de SRAG no país. Segundo a Fiocruz, o cenário de crescimento no número de pacientes com a síndrome está explícito nacionalmente e em todas as faixas etárias da população adulta.

A Fiocruz alertou também que há sinais de forte crescimento nas tendências de longo prazo, referentes às análises das últimas seis semanas. Esse cenário é observado em 24 das 27 unidades da federação. Apenas Ceará, Tocantins e Pernambuco apresentam indícios de estabilidade ou queda na tendência.

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