Lula encontra movimentos populares na próxima sexta em São Paulo

Além de debater propostas para a reconstrução do Brasil com cerca de 60 entidades, Lula também busca ampliar apoios dentro do PSDB. Agência relata viagem “discreta” de Jaques Wagner aos EUA

RBA – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua fazendo movimentos para ampliar o arco de alianças em torno de sua campanha à Presidência da República dentro do país e fora do país. Nesta sexta-feira (27), ele se encontra com representantes de movimentos populares em São Paulo.

O pré-candidato pelo PT participa do evento Movimentos Populares com Lula – Juntos pelo Brasil, em que receberá manifestações de apoio e um documento assinado por mais de 60 entidades com propostas para superação da crise e reconstrução do Brasil. O objetivo é debater os desafios a serem enfrentados pelo campo progressista nas eleições presidenciais de outubro, e também apresentar propostas para a superação da crise.

O coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, promete entregar a Lula um documento com dez propostas para a reconstrução do país. O texto foi elaborado por dezenas de entidades e movimentos populares. Entre eles, organizações ligadas à questão da moradia, da terra, às mulheres, negros, estudantes, indígenas, LGBTQIA+, moradores de favelas, juventude e coletivos de cultura.

“Após diálogo com diversos atores sociais, temos um instrumento mobilizador com as pautas dos movimentos populares”, diz Bonfim. Segundo ele, foram debatidas estratégias de ação para a campanha eleitoral. “É hora de recolocar o país no rumo certo e, para isso, os movimentos populares terão papel fundamental para promover esta mudança”, afirma.

O coordenador da CMP reafirma que a candidatura de Lula é a única capaz de interromper os retrocessos e abrir caminho para a retomada dos direitos e de um Estado voltado ao desenvolvimento. “Precisamos que a classe trabalhadora e os movimentos populares assumam o papel de promover esta transformação.”.

O encontro está previsto para a partir das 17h na Casa de Portugal, região central da capital paulista e será transmitido ao vivo pelas redes sociais.

Aos tucanos

Ao mesmo tempo, Lula segue trabalhando para vencer resistências de campos da centro-direita desde as negociações que estabeleceu com o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seu vice na chapa presidencial. Segundo o colunista do Uol Kennedy Alencar, o ex-presidente já teria ligado para o colega Fernando Henrique Cardoso para conversar “sobre os caminhos do PSDB após a saída de João Doria da corrida presidencial”. A nota não informa a data da conversa, mas lembra que, em 1978, Lula apoiou FHC na candidatura do então emedebista ao Senado.

Depois de selado o acordo com Alckmin, outro ex-adversário, o ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira, declarou que vai apoiar o petista já no primeiro turno, por enxergar urgência em se derrotar Bolsonaro. “Não só voto no Lula como vou fazer campanha para ele no primeiro turno”, declarou o tucano há duas semanas ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ele, a chamada terceira via “não existe”, mas há apenas as vias “da democracia e do fascismo”.

Na segunda-feira (23), Lula e Alckmin participaram de reunião com lideranças do PV, PCdoB, Rede, Psol e Solidariedade, além dos respectivos partidos, PT e PSB. O encontro serviu para debater alianças e a formação de uma frente ampliada para derrotar Jair Bolsonaro em outubro.

Desconfiança

Segundo a agência Reuters, em nota desta quarta-feira (25) o ex-presidente estaria também num esforço para diminuir “desconfianças mútuas” que sua candidatura provoca aos Estados Unidos. Segundo a nota, “discretamente”, Lula incumbiu o senador Jaques Wagner (BA) para se reunir com funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos em Washington em abril.

“A reunião privada de Wagner com autoridades dos EUA, que não havia sido relatada antes, é parte de um esforço de Lula e dos Estados Unidos para superar a persistente desconfiança mútua antes das eleições de outubro”, anota a Reuters, citando “fontes”, não especificadas.

A publicação da agência especula que a missão “discreta” de Wagner contrasta com a turnê pública de Lula pela Europa em novembro passado, quando o ex-presidente se encontrou com alguns dos mais importantes líderes europeus, como o francês Emmanuel Macron e o alemão Olaf Scholz, recebendo honras de Estado.

De acordo com a Reuters, o ex-ministro da Defesa e ex-governador da Bahia “não respondeu aos pedidos de comentários” da reportagem, assim como o Departamento de Estado “se recusou a comentar”.

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