Bancos aumentam bônus de diretores, mas querem reduzir renda dos bancários

Mesmo com lucros maiores e sempre crescentes, bancos propõem diminuir PLR, distribuindo uma fatia menor de seus lucros bilionários. Cada executivo terá, em média, R$ 9 milhões extras. Em nova negociação da campanha salarial dos bancários não avançou nas propostas de participação dos trabalhadores nos lucros exorbitantes dos bancos

RBA – Em nova rodada de negociação, ontem (24), a Fenaban (federação que representa o setor patronal do sistema financeiro) propôs aos bancários reajuste de 6,73% nos valores fixos da participação nos lucros ou resultados (PLR). Além disso, os bancos querem excluir da convenção coletiva a regra de não compensação dos programas próprios na parcela adicional da PLR – ou seja, que o que cada banco paga como programa próprio seja reduzido da PLR prevista nacionalmente.

Os representantes dos bancários afirmam que a proposta representa perdas na renda dos trabalhadores, já que corresponde o percentual representa apenas 75,7% da inflação medida pelo INPC no período de 12 meses até o fim de agosto. A data-base da categoria é 1º de setembro.

O Comando Nacional dos Bancários rejeitou as duas proposta na mesa. “Não vamos aceitar uma proposta rebaixada, com lucro para os trabalhadores abaixo da inflação, sendo que o lucro líquido dos maiores bancos no Brasil cresceu 190% acima da inflação entre 2003 e 2021 (R$ 110 bilhões neste último ano). O lucro dos executivos está garantido. E dos trabalhadores? Estão propondo apenas 40,7% do que reivindicamos”, questiona a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, coordenadora do Comando.

Executivos
Enquanto tentam achatar a renda salarial dos seus funcionários, os grandes bancos aumentam a remuneração per capita anual de suas diretorias executivas. A previsão é que cada diretor ou diretora receba um bônus de R$ 8,9 milhões pelos resultados alcançados em 2022. O valor representa crescimento de 11,1% em relação a 2021 e é 132 vezes maior do que a remuneração anual da função de escriturário ( incluindo salários, 13º, férias, tíquetes e PLR).

“Em 1995, os bancos chegaram a distribuir, em média, 14% dos lucros a título de PLR. No ano passado caiu para 6,6% e agora querem reduzir ainda mais! É um absurdo!”, critica a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

Ferramenta de assédio
Com relação ao interesse dos bancos de querer compensar os valores pagos pelos programas próprios na parcela adicional da PLR da categoria, o Comando alerta que será utilizada como mais uma ferramenta de assédio moral. “Os bancos, por meio de seus gestores, vão utilizar como argumento para aumentar ainda mais as cobranças abusivas pelo cumprimento de metas”, resumiu Juvandia Moreira.

“Compensar programas próprios na parcela adicional da PLR deixa os trabalhadores ainda mais vulneráveis às cobranças de metas abusivas. Não vamos aceitar”, acrescentou Ivone Silva.

Assembleias amanhã
Sindicatos da categoria de todo o país vão realizar assembleias nesta sexta-feira (26), para que os bancários analisem a proposta da Fenaban e deliberem sobre entrar em estado de assembleia permanente. “Com uma proposta de reajuste sem aumento real, com reajuste do vale-alimentação apenas pela inflação geral, sem considerar a inflação dos alimentos, e uma PLR rebaixada, os bancos jogam a categoria para a greve”, conclui Juvandia. Uma nova rodada de negociações desta campanha salarial dos bancários está prevista para a tarde desta quinta-feira (25).

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