Tin Urbinatti: arte tem função de denúncia e pedagogia contra barbárie

Em entrevista dramaturgo relata experiências do teatro de resistência, resgata histórias com metalúrgicos liderados por Lula e discute papel político da cultura; veja vídeo na íntegra com o ator, dramaturgo e sociólogo Tin Urbinatti que defendeu a necessidade da arte se manter em contato com a realidade.

Com Opera Mundi

“A barbárie se coloca como fonte quase inesgotável de crueldade, brutalidade, grosseria, que está bem presente neste momento da história brasileira”, afirmou o artista, lembrando o horror e apregoando o poder da arte em combatê-lo.

Com o Grupo Forja, movimento teatral que criou no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo, Urbinatti afirmou ter vivido um renascimento, lado a lado com os trabalhadores que aderiram ao projeto, como atores ou espectadores.

Pensão Liberdade, em criação colaborativa, foi um dos resultados de seu trabalho no sindicato – e a primeira vez que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viu uma peça teatral. Um dos objetivos do Forja, lembrou o entrevistado, era trazer para o sindicato trabalhadores que tinham medo da luta política e seus familiares, atraindo-os assim para defender os seus direitos.

“Isso se chama trabalho de base: encontrar um jeito de dialogar com os trabalhadores mesmo quando a classe está com medo, cansada ou confusa”, observou Altman.

Os debates propostos pelas peças teatrais passaram a reverberar no chão da fábrica, segundo o encenador. Num período adverso para os trabalhadores, com demissões em massa nos anos 1980, o Forja encenou o tema da demissão, na peça Pesadelo. Em uma cena que Urbinatti reproduziu durante a entrevista, um operário demitido conversava desconsoladamente com uma das máquinas com as quais trabalhava.

Antes do Grupo Forja, em 1972, ele participou, do Teatro das Ciências Sociais (GTSC) da Universidade São Paulo (USP), que estreou com Doutor Getúlio, Sua Vida e Sua Glória (1968), de Dias Gomes, em março 1973.

Contrato de Riso (1975), uma criação da própria companhia, parodiava a quebra do monopólio da Petrobras sobre a exploração de petróleo, concedida pelo governo Ernesto Geisel. Satirizado na peça, o ditador a certa altura dizia: “qualquer coisa, a gente mobiliza as forças armadas e dá uma quartelada”.

No dia em que foi anunciada a morte do jornalista Vladimir Herzog, também sob tortura, causou alvoroço na plateia a cena em que o ator anunciava que as forças armadas haviam se desentendido em Brasília e o presidente Geisel fora assassinado. A cena era contrastada com a do suicídio de Vargas, mais uma vez presente no imaginário do grupo.

“Naquela tensão que estava premente no ar, espectadores vazaram, saíram correndo. Um amigo jornalista ligou para o Estadão para dar o furo”, divertiu-se. Essa e outras histórias ele conta no livro Teatro Sob Fogo Cruzado, da Alameda Editorial, que será lançado no dia 25 de maio.

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