Madrasta que envenenou enteados postou mensagens bíblicas, orações e música gospel

Enquanto a enteada agonizava e lutava pela vida em hospital, madrasta responsável por envenená-la publicava textos bíblicos e orações clamando pela recuperação da vítima. Crimes de Cíntia só foram descobertos porque segundo enteado desconfiou e sobreviveu

Pragmatismo Político – Nas redes sociais, Cíntia Mariano Dias Cabral, de 49 anos, publicava textos bíblicos, orações e músicas gospel. Na vida real, a mulher envenenou os enteados e agiu como se não tivesse nada a ver com os dramas vivenciados pelos jovens.

Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos, passou mal no dia 15 de março deste ano e ficou internada por 13 dias por uma causa que os médicos não sabiam precisar.

No dia em que passou mal, Fernanda deu entrada no hospital com muito mal-estar e dificuldade de respirar e precisou ser intubada. Com a piora do quadro, no dia 21 de março, Cíntia postou um vídeo com uma música gospel, uma foto da enteada e a mensagem: “Você vai vencer! Eu creio”.

No dia 22, ela fez quatro postagens. Sempre com orações, mensagens de fé e esperança e a certeza de que Fernanda se restabeleceria. Em uma delas (imagem acima), Cíntia postou uma foto em que aparece ao lado do marido, Adeilson, do enteado Bruno, e do namorado de Fernanda. “Todos os familiares e amigos à sua espera. Força Nana, todos por você sempre”, escreveu.

No dia 24 de março, nova postagem dizendo que Fernanda não era fraca e ia conseguir vencer o seu mal-estar. Fernanda Carvalho Cabral morreu três dias depois, em 27 de março.

No dia 29, Cíntia ainda postou nova foto da jovem com a música “Estrelinha”, de Marília Mendonça, cujos versos dizem: “Quando bater a saudade/ Olhe aqui pra cima/ Sabe lá no céu, aquela estrelinha/ Que eu muitas vezes mostrei pra você?/ Hoje é minha morada; A minha casinha”.

Primeiro Fernanda, depois Bruno

As suspeitas sobre a morte de Fernanda — cuja morte foi atestada como sendo por causas naturais –, só surgiram quando o irmão dela, Bruno, de 16 anos, começou a passar mal depois de um almoço na casa da madrasta, no dia 15 de maio.

No local, ele reclamou de ter recebido um feijão amargo e com algumas pedrinhas azuis. Em casa, com mãe, e já se sentindo mal, reclamou e falou sobre o alimento.

No hospital, Bruno foi submetido a uma lavagem estomacal e a um exame de sangue que detectou níveis altos de chumbo em seu sangue. Com a suspeita de que os filhos foram envenenados, Jane Carvalho Cabral, mãe dos jovens, registrou queixa na 33ª DP, em Realengo, que iniciou buscas na casa da madrasta.

“Ele já veio de lá com uma ansiedade, bem preocupado e achando que tinha acontecido algo estranho porque quando reclamou do feijão amargo de pedrinhas azuis, ela arrancou o prato da mão dele, colocando mais feijão e entregando pra ele depois. Quando ele veio pra cá, veio perguntando como fazia pra vomitar. Mais ou menos uns 40 minutos depois, começou todo o desespero que foi o que a Fernanda sentiu. Na mesma hora eu imaginei que o gosto amargo desse feijão poderia ser o suposto veneno”, contou a mãe dos jovens.

Com a denúncia do caso, investigadores foram até a casa de Cíntia e recolheram o feijão para análise, mas antes do resultado do exame, na quinta-feira (19), a madrasta tentou se matar.

Ela foi levada para o hospital, se recuperou e, na sexta-feira (20), foi levada para a 33ª DP para prestar depoimento, quando teve sua prisão decretada. “A prisão temporária de 30 dias foi decretada por homicídio tentado, qualificado, com emprego de veneno. Tudo leva a crer que a motivação seria ciúmes do relacionamento do marido com os filhos naturais”, disse o delegado Flávio Rodrigues.

Madrasta confessa crime

Na delegacia, Cíntia se manteve em silêncio, seguindo orientações dos advogados. Mas em outro depoimento, um filho biológico de Cíntia contou à polícia que a mãe confessou ter envenenado Fernanda e Bruno com chumbinho, que é veneno usado para matar ratos.

“Uma mulher dessas não pode nem ser chamada de ser humano, isso é um monstro. Essa pessoa entrou na nossa vida quando meu filho tinha 4 anos de idade. Fazer isso com a irmã e depois fazer com meu filho, isso não é um ser humano, não é um ser humano”, disse Jane Cabral, mãe dos jovens.

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