Nazista, terraplanista, pastor evangélico: as figuras obscuras da Educação e Cultura de Bolsonaro

Educação e Cultura são áreas ligadas ao conhecimento e pluralidade de ideias, mas no governo Bolsonaro foram dadas nas mãos de pessoas que representam exatamente o oposto; relembre

Fórum – Diante do escândalo revelado de que há um “gabinete paralelo” de pastores no Ministério da Educação que movimenta recursos públicos, inclusive com pedidos de propina, de acordo com seus interesses pessoais, o ministro Milton Ribeiro se tornou alvo de inúmeras representações judiciais e corre o risco de perder o cargo.

Caso o pastor evangélico, de fato, seja afastado, demitido ou peça demissão, será a terceira baixa na pasta ao longo dos pouco mais de três anos do governo Bolsonaro.

Os outros dois que antecederam Ribeiro, Ricardo Vélez Rodríguez e Abraham Weintraub, assim como o colega pastor, deixaram suas marcas de incapacidade, limitação intelectual e desmonte de um MEC que já foi o berço da expansão ao acesso universitário e de políticas públicas exitosas como o Prouni, Enem, Fies e política de cotas raciais.

Situação parecida aconteceu na Cultura, que no governo Bolsonaro deixou de ser um ministério para se tornar uma secretaria subordinada ao Ministério do Turismo. A pasta por onde já passaram nomes reconhecidos da área como Gilberto Gil e Juca Ferreira passou a ser comandada por figuras como Roberto Alvim, que emulou um discurso nazista, e por quem mal conhece a cultura brasileira, como o ex-galã de telenovelas Mario Frias.

Educação e Cultura em tempos de Bolsonaro: breve histórico do obscurantismo
Ministério da Educação

Ricardo Vélez Rodríguez, o revisionista da Ditadura

Ministro da Educação por apenas 3 meses (entre janeiro e abril de 2019), o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, que se naturalizou brasileiro em 1997, não precisou de muito tempo para mostrar a que veio.

Em entrevistas, ele negava que houve um golpe e uma ditadura no Brasil e pretendia fazer uma revisão nos livros didáticos relacionada ao assunto. “O papel do MEC é garantir a regular distribuição do livro didático e preparar o livro didático de forma tal que as crianças possam ter a ideia verídica, real, do que foi a sua história. Foi um regime democrático de força, porque era necessário nesse momento. A história brasileira mostra que o 31 de março de 1964 foi uma decisão soberana da sociedade brasileira. Quem colocou o presidente Castelo Branco no poder não foram os quartéis”, chegou a afirmar.

Abraham Weintraub, o terraplanista que não sabe escrever

Fiel seguidor do falecido guru bolsonarista Olavo de Carvalho, Abraham Weintraub, que comandou o MEC entre abril de 2019 e junho de 2020, é o típico conspiracionista que flerta com teorias estapafúrdias como a da Terra “plana”, “nova ordem mundial”, “globalismo” e que acha que o mundo todo está se tornando marxista.

Sua gestão foi marcada por incompetência, caos na realização do Enem, falas preconceituosas e racistas, tentativa de criminalização do conhecimento, com ameaça de autorizar polícia em universidades, além de demonstração de limitação intelectual e dificuldades com a língua portuguesa. Por inúmeras vezes, cometeu erros chulos de ortografia, algo que não é esperado de um ministro da Educação, e em uma fala que viralizou, chegou a usar o termo “Kafta”, um prato árabe, para se referir a Franz Kafka, o célebre escritor de tcheco.

Deixou o governo com um cargo de presente no Banco Mundial e saiu praticamente fugido do país com medo de ser preso, já que era alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por ameaças aos integrantes da Corte. “A prioridade total é que eu saia do Brasil o quanto ante, Agora é evitar que me prendam, cadeião e me matem”, disse à época.

Milton Ribeiro, o pastor homofóbico que montou “gabinete paralelo”

Milton Ribeiro só ganhou holofotes por conta do recente escândalo do gabinete paralelo de pastores no MEC que movimenta recursos públicos, inclusive com pedidos de propina, de acordo com seus interesses.

Antes disso, desde que assumiu no lugar de Weintraub, Ribeiro, sem encampar nenhum projeto ou política pública relevante, só era lembrado quando proferia falas homofóbicas.

Recentemente, inclusive, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao STF pelo crime de homofobia. “Acho que o adolescente, que muitas vezes, opta por andar no caminho do homossexualismo (sic), tem um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe. Vejo menino de 12, 13 anos optando por ser gay, nunca esteve com uma mulher de fato, com um homem de fato, e caminhar por aí. São questões de valores e princípios”, disse o pastor na declaração que motivou a denúncia, entre inúmeras outras do tipo.

Secretaria de Cultura

Roberto Alvim, o nazista

O primeiro a assumir a secretaria de Cultura do governo Bolsonaro foi Roberto Alvim, que ficou no cargo pouco mais de 1 ano. Foi demitido após divulgar um vídeo bizarro em que faz um pronunciamento emulando discurso do ministro da Propagada do Nazismo, Joseph Goebbels.

Além de copiar trechos do discurso de Goebbels, como de que a “arte da próxima década será heroica e imperativa”, Alvim copiou a estética nazista, com tom de voz, aparência e trilha sonora.

A música de fundo usada pelo ex-secretário foi um trecho da ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, uma obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida,

Regina Duarte, a “queridinha do fuzil”

Regina Duarte foi a escolhida para o lugar de Alvim e ficou menos de três meses no cargo. Sem atender às expectativas de Bolsoanaro, a ex-atriz da Globo, líder da campanha “Eu tenho medo” que visava impedir a vitória de Lula em 2002, foi “fritada” pelo governo até pedir demissão com a promessa – não cumprida – de que assumiria a Cinemateca.

Durante sua breve passagem pela secretaria, chegou a dar entrevista em que, na tentativa de se alinhar ao discurso do chefe, minimizou a ditadura e a prática de tortura nos anos de chumbo, além de relativizar as mortes de importantes artistas brasileiros, o que fez com que ela virasse alvo de ataques nas redes. Ela chegou a reclamar no Instagram que estava sendo “vítima da infodemia”.

Mario Frias, o galã turista que desconhece a cultura nacional

Mario Frias, que assumiu a Cultura depois de Regina Duarte e comanda a pasta até hoje, foi resgatado do ostracismo por Jair Bolsonaro. Antigo galã de novelas como “Malhação”, Frias se mostrou um bolsonarista ferrenho, que posa armado e assedia moralmente servidores de sua pasta – há, inclusive, investigação aberta sobre o tema.

Sem nenhum projeto relevante na pasta, Frias aproveita o cargo para viajar. Ele é alvo de investigações por ter torrado R$ 80 mil em recursos públicos para ir aos Estados Unidos se encontrar com o lutador de jiu-jitsu bolsonarista Renzo Gracie.

Em 2021, mostrou todo o seu despreparo para o cargo quando foi à 17ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, cuja uma das principais homenageadas era a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, e confessou não saber quem era.

“Eu não conheço nada, desculpa! Me ajude”, respondeu ao ser questionado por uma repórter.

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