Para presidente do Psol, decisão de Boulos foi ‘gesto de grandeza’ por unidade da esquerda

Juliano Medeiros é favorável ao apoio a Haddad em São Paulo. Mas partido ainda discute alianças, inclusive na eleição presidencial que une a esquerda e tem mais chance de vitória em São Paulo.

RBA – A decisão de Guilherme Boulos de abrir mão da pré-candidatura ao governo de São Paulo foi um “gesto de grandeza” no caminho da unidade. A avaliação é do presidente nacional do Psol, Juliano Medeiros. O Psol, no entanto, tem posições divergentes em relação às alianças ainda no primeiro turno, tanto em nível estadual como federal nas eleições de 2022.

Em São Paulo, Boulos e o próprio Medeiros já afirmaram sua preferência pelo apoio a Fernando Haddad (PT), mas a questão ainda está em aberto. Na tarde desta segunda-feira (21), em entrevista a Fabíola Cidral e Kennedy Alencar no UOL News, Boulos voltou a falar no petista como nome mais “competitivo” do campo progressista para unir a esquerda e derrotar os tucanos, que se mantêm no poder no estado há quase três décadas. Esse foi um dos motivos que o levaram a renunciar à pré-candidatura.

O outro, destacou, é ampliar a bancada progressista na Câmara para pelo menos 170 (dos atuais 130) e tentar dobrar a do Psol (hoje com nove deputados). Na entrevista, o agora pré-candidato a deputado federal considerou um “número de corte” atingir 172 deputados. Ou seja, um terço da Câmara – o que evitaria, por exemplo, uma “faca no pescoço” de eventuais pedidos de impeachment. “É realista (atingir as 172 vagas) se nós fizermos um esforço de dar a importância e a visibilidade que a eleição parlamentar merece.”

Psol, eleições 2022 e fator Alckmin

Assim que Boulos tornou pública sua decisão, a vereadora Mariana Conti, de Campinas, apresentou seu nome para ser candidata do Psol ao governo estadual paulista. Na semana passada, ela – vereadora mais votada em 2020 – defendeu que o partido apresente candidaturas próprias tanto em São Paulo como para presidente da República. Parte da direção é favorável ao apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora tenha reservas ao ex-tucano Geraldo Alckmin, agora PSB, como vice.

O secretário-geral do Psol, Israel Dutra, por exemplo, considera fundamental que o partido apresente seu próprio programa no primeiro turno. Desse modo, a discussão sobre apoio ficaria para uma eventual segunda rodada. Ele lembrou que 44% dos delegados no último congresso apontaram o nome do deputado carioca Glauber Braga. Nas redes sociais, o parlamentar disse que não pretende disputar a reeleição caso o partido não apresente nome próprio à Presidência da República.

Outro dirigente do partido, o vereador gaúcho Roberto Robaina, também é defensor de candidatura própria do Psol, sob a plataforma de uma frente de esquerda. “Devemos reconhecer os fatos como são. Lula encabeçará uma frente democrática com a estratégia de realizar um governo social-liberal. Diante disso, contra Bolsonaro, devemos apoiá-lo no segundo turno”, escreveu. Nesse cenário, lembrou, “as ruas terão um peso muito importante”.

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