Bolsonaro troca diretor-geral da Polícia Federal pela quarta vez em menos de quatro anos

Acuado por novas investigações, presidente escolhe nome alinhado ao seu atual ministro da Justiça. “Vou interferir”, teria dito Bolsonaro a ministros sobre troca na PF para proteger família, em maio de 2020

Por Paulo Motoryn

O presidente Jair Bolsonaro (PL) trocou o diretor-geral da Polícia Federal nesta sexta-feira (25) pela quarta vez em menos de quatro anos de mandato. No cargo desde abril de 2021, Paulo Maiurino foi substituído por Márcio Nunes de Oliveira.

A troca foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), durante a tarde de véspera do feriado de Carnaval. A decisão foi assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira. Leia a portaria:

Portaria publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (25) / Reprodução

Oliveira era o secretário-executivo do Ministério da Justiça, ao qual é vinculada a Polícia Federal. Ele foi o superintendente-regional da PF no Distrito Federal entre maio de 2018 e abril deste ano. O novo diretor-geral é homem de confiança do atual ministro da Justiça, Anderson Torres, que chegou à Esplanada dos Ministérios, em março de 2021.

Assista também:

Quarta troca em quatro anos

É a quarta troca feita pelo governo de Jair Bolsonaro no comando da PF. Depois da saída do delegado Maurício Valeixo, que era o nome indicado pelo então ministro da Justiça Sergio Moro, o presidente nomeou em abril de 2020 o diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, para o cargo.

A nomeação de Ramagem, contudo, foi barrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, sob suspeita de desvio de finalidade. Em reação, o presidente escolheu o delegado Rolando Alexandre de Souza, que foi trocado em abril do ano passado por Maiurino.

Acuado por investigação da PF

Diversas investigações da Polícia Federal pairam sob Jair Bolsonaro. Uma delas, em especial, aponta uma atuação “direta, voluntária e consciente” do presidente e do deputado Filipe Barros (PSL-PR) pelo crime de vazamento de informações sigilosas de inquérito que investiga suposto ataque de hackers às urnas eletrônicas em 2018.

De acordo com o relatório policial, o conjunto de provas reunidas durante a investigação, como a tomada dos depoimentos, permite identificar que houve divulgação indevida do inquérito policial, feita a partir da entrega formal da documentação ao deputado federal Filipe Barros, com a finalidade de utilização nas discussões da PEC 135/2019, sobre o voto impresso.

Fonte: Brasil de Fato

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