Mario Frias curte post sobre prisão de Weintraub e escancara guerra no bolsonarismo

Eduardo Bolsonaro e Mario Frias partem para cima de Weintraub: em lavagem de roupa suja, filho do presidente admite operação para tirar ex-ministro do Brasil e evitar sua prisão. Salário de Weintraub é de R$ 117 mil por mês e emprego está garantido até o fim do ano. Confusão é motivada por interesses pela pré-candidatura do bloco bolsonarista ao governo de SP

Pragmatismo Político – O Secretário Especial de Cultura, Mário Frias, escancarou nesta quinta-feira (20) mais um capítulo da crise na extrema-direita brasileira. O bolsonarismo mais radical está rachando após perder espaço no governo federal e nos planos eleitorais do presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados prioritários, os caciques do Centrão.

Mário Frias apertou o botão de “coraçãozinho” de postagens que criticam a ‘rebelião’ comandada pelo ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, incluindo uma sugerindo que ele deverá ser preso “em breve”. Foi o suficiente para o ex-ministro e seu irmão, o ex-assessor presidencial Arthur Weintraub, atacarem o ex-colega de governo.

“Mário Frias, secretário do governo, está curtindo comentários que pedem a minha prisão? Espero que tenha sido um engano”, escreveu Abraham. “Não há motivos para a prisão do meu irmão. O absurdo contra a gente é incrível e esse post poderia vir igualmente da esquerda. Se acham que ele será preso, não deveriam tomar atitude para evitar prisão ilegal? Like nisso é o que?”, acrescentou Arthur.

O secretário de Cultura então reagiu, primeiro curtindo postagens que zombavam do “chilique” dos irmãos Weintraub e depois com uma série de postagens de próprio punho, também no Twitter.

Além de chamar os ex-membros do governo de “oposição sonsa”, Frias emendou: “Estão nela há mais de um ano, com indiretinhas cínicas e meias palavras. São tão medrosos que não têm coragem de falar abertamente meu nome, apenas postam o print com fotinha da curtida. Querem falar de curtidas? Vocês estão há um ano curtindo todo lixo de perfil com postagem chamando o presidente de frouxo, traidor e coisas piores, enquanto você e seu irmão desfrutam dos altos salários dos cargos em que o presidente da República os colocou”.

Weintraub, que chegou ao Brasil no último sábado para tumultuar a tentativa de Bolsonaro de unir sua militância em torno da candidatura do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, ao governo de São Paulo, tem salário de mais de R$ 117 mil por mês como diretor do Banco Mundial desde junho de 2020, quando deixou seu ministério após ficarem públicos os insultos seus aos ministros do STF.

Arthur Weintraub, por sua vez, ganhou um cargo na Organização dos Estados Americanos (OEA), e os dois só têm esses empregos garantidos até este ano. No Brasil, tentam viabilizar candidaturas à revelia de Bolsonaro e têm feito reiteradas críticas ao acordo do presidente com o Centrão.

Logo após Frias desabafar, o deputado estadual Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, retuitou as postagens do secretário e também disparou contra os ex-aliados. “Todo este tempo que nós engolíamos sapos na verdade era a chance para eles se corrigirem, mas nada foi feito. Então agora está aí tudo às claras”, escreveu o parlamentar, que passa férias nos Estados Unidos.

As postagens de Frias e Eduardo Bolsonaro põem fim a uma frágil trégua proposta por conselheiros do presidente que vem sendo seguida por ele. Apesar de indignado com os ataques de Weintraub e outros ex-aliados, como o ex-chanceler Ernesto Araújo, Bolsonaro tem permanecido calado.

Prisão de Weintraub

A lavagem de roupa suja continuou durante a noite e Eduardo Bolsonaro admitiu, em postagem no Twitter, que o governo de seu pai agiu para tirar Abraham Weintraub do Brasil, em 2020, temendo uma prisão. Na época, ainda ministro, Weintraub era alvo de quase duas dezenas de ações no Supremo Tribunal Federal (STF) e tinha chamado os ministros da Corte de “vagabundos” que deveriam ir para a cadeia.

A saída de Weintraub do Brasil, em junho de 2020, foi confusa. No dia 19 daquele mês, após uma escalada na tensão entre os poderes Executivo e Judiciário que tinha Weintraub como um dos protagonistas, ele anunciou, em vídeo no qual aparecia com um constrangido presidente Jair Bolsonaro, que deixava o ministério.

No dia seguinte, embarcou em um voo comercial rumo aos Estados Unidos e desembarcou usando o passaporte diplomático de ministro de Estado. “As coisas aconteceram muito rapidamente”, escreveu ele, em resposta a um seguidor, após pousar na Flórida.

Horas depois, no Brasil, o Diário Oficial da União (DOU) publicava, em edição extra, a exoneração de Weintraub. Nos EUA, o ex-ministro assumiu cargo no Banco Mundial por indicação do governo brasileiro.

Eduardo Bolsonaro reagiu a uma crítica nas redes sociais, que o acusava de endossar “prisões de gente que não cometeu crime”. O filho do presidente da República então escreveu: “Se endossássemos prisões arbitrárias, Abraham jamais teria ido aos EUA junto com seu irmão”.

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