Por se aliar a Trump e defender farmacêuticas, Bolsonaro tomou troco da Índia nas vacinas

As decisões grotescas do Brasil em relação de apoiar Trump em tudo e ter uma relação diplomática catastrófica no passado recente está refletindo um futuro sombrio para Bolsonaro e o Brasil

Viomundo – O colunista Jamil Chade, do UOL, baseado em Genebra, pode ter esclarecido hoje o impasse sobre o envio ao Brasil das vacinas prontas da AstraZeneca/Oxford, fabricadas na Índia.

De acordo com Chade, em negociações na Organização Mundial do Comércio, o Brasil aliou-se aos Estados Unidos de Donald Trump para criticar a proposta da Índia de derrubar as patentes para vacinas.

A intenção do chanceler Ernesto Araújo e do presidente Jair Bolsonaro seria facilitar a entrada do Brasil na OCDE, ao lado dos países ricos. Os EUA indicaram o Brasil como próximo país a negociar a entrada na organização.

A posição da Índia, que historicamente já foi a do Brasil, é de facilitar a produção de remédios nos países mais pobres.

O governo indiano, de acordo com Chade, argumenta que “um grande número de instalações de fabricação em muitos países com capacidade comprovada para produzir vacinas seguras e eficazes são incapazes de utilizar essas capacidades devido a novas barreiras de propriedade intelectual”.

É o caso do Brasil, que tem fábricas de vacina no Butantan e na Fiocruz.

Ao apoiar a posição das farmacêuticas, que pressionam por estender a propriedade intelectual, Bolsonaro rompeu com a política histórica do Itamaraty.

No segundo mandato de FHC, o ministro José Serra, da Saúde, batalhou pela quebra de patentes que ajudou no surgimento dos genéricos e desagradou a indústria farmacêutica.

Agora, o Brasil chegou a adesivar um avião para ir buscar doses da vacina de Oxford na Índia. Porém, depois de fazer a primeira escala, o avião nem seguiu viagem.

A Índia, por sua vez, anunciou que vai começar a distribuição da vacina pronta para aliados geopolíticos, como Butão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Mianmar, Seicheles, Sri Lanka, Afeganistão e as Ilhas Maurício.

A Fiocruz e o Instituto Butantan dependerão de insumos vindos da China para produzir as respectivas vacinas totalmente no Brasil, mas apenas a longo prazo.

Quanto mais dificuldades o país tiver para conseguir a matéria prima, mais tempo vai levar para fazer uma imunização na escala exigida, prorrogando os efeitos da pandemia.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou que vai visitar o embaixador chinês em Brasília, Yang Wanming, para tentar superar a crise entre o governo Bolsonaro e o governo da China.

“O governo brasileiro interditou a relação com a China. Só fazem ataques ao embaixador. Agora está provada a importância do diálogo diplomático. Precisamos ao menos saber o que está acontecendo, qual é a razão de os insumos não chegarem ao Brasil”, disse Maia.

Wanming é alvo de ataques do chanceler Ernesto Araújo e do filho do presidente da República, deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Por enquanto, o Brasil é dependente dos IFAs (Ingrediente Farmacêutico Ativo) produzidos na China para produzir aqui mesmo tanto a Coronavac quando a vacina da AstraZeneca/Oxford.

Queimar a relação do Brasil com fornecedores chineses pode ser uma forma de Bolsonaro prejudicar seu nêmesis, o governador de São Paulo, João Doria, que colheu os frutos de marketing da chegada da Coronavac, mas também prejudicaria a Fiocruz.

Por trás da disputa paroquial, representantes da Pfizer acusam a China de tentar desmoralizar a vacina que está sendo aplicada nos Estados Unidos, enquanto os chineses reclamam que a mídia ocidental está colocando em dúvida a eficácia dos imunizantes produzidos em território chinês.

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